Todos os dias eu escrevo. Escrevo na minha mente, escrevo sobre a conexão entre mim e o mundo e fica só para mim, como um diário pessoal que se cancela com o tempo… Difícil encontrar o momento para parar e escrever para o mundo o que aprendo com ele, ou talvez a verdade é que minha mente é mais rápida do que minhas mãos e, quando consigo parar, a inspiração já foi embora, ficando aquela sensação de ter “escrito” um belíssimo texto, e me sinto satisfeita com esse sentimento. Ou quem sabe prefiro essa sensação que é só minha e assim não dou a possibilidade a julgamentos? Quem sabe se o texto era belíssimo na minha mente e quando vou passá-lo para o papel perde o seu encanto? Quem sabe não é o medo de me expor que fala mais alto?
Hoje, porém, parei antes de começar a escrever na minha mente, parei para olhar o nascer do sol, parei escutando minha música preferida: “Inverno das quatro estações”, de Vivaldi, e foi quando a inspiração encontrou o paraíso…
Antes de perceber, já estava com os olhos cheios de lágrimas. Adoro a sensação do “sentir” inexplicável, aquele sentir na pele que chega antes da razão. A música de Vivaldi, os quadros The Kiss, de Gustav Klimt, e Luther Burbank, de Frida Kahlo, lugares como o Palazzo Vecchio, em Florença, a lua, minhas filhas… tudo isso contribui para esse sentir que a razão não explica, um sentir que chega sem ser entendido e por isso é vivido. Aquele sentir que não deixa espaço para julgamentos, receios, medos. Um sentir só meu!
Passamos pela vida tentando entender, entender o que vemos, entender o que vivemos, entender o que sentimos… mas o universo é sábio e, quando deixamos fluir, ele nos presenteia com esse sentimento intenso e inexplicável, assim nos ensina que viver nem sempre é entender, mas é sempre um fluir, é sempre uma conexão entre o aqui e o agora e nós mesmos. É um presente que formará um futuro. Mesmo que condicionados por um passado às vezes doloroso, o universo nos presenteia a cada segundo com a possibilidade de parar, observar, sentir e viver!

