Oi, sou Veronica, classe 1978, mãe de três meninas nascidas em dois continentes diferentes, e talvez você já parou de prestar atenção nesse texto, pensando que escrevi meu nome errado… Pois é aqui que começa a minha história.
Nasci em Floriano, interior do Piauí, e falam que meu pai teve que discutir no cartório para que me registrassem sem acento. Segundo ele, eu viajaria muito e o “chapeuzinho”, atrapalharia na hora que fossem escrever o meu nome nos muitos países que eu passaria. Meu pai faleceu antes que eu completasse 7 anos, e nunca pôde me dar a sua versão, o que eu posso dizer é que ou foi premunição, ou foi porque escutei tanto essa história que acabei seguindo os seus desejos.
A verdade é que saí do Piauí ainda bebê, hoje eu sou poliglota, falo e escrevo em 5 idiomas diferentes, já morei em 7 países, em 15 cidades de três continentes diferentes, e já visitei mais de 25 países (podia ter visitado mais, porém amo repetir, porque adoro a sensação de me sentir em casa! Rsrs)
Aprendi na marra o que é o desapego das coisas materiais: minha mãe se desfez de tudo o que eu tinha quando fui estudar fora pela primeira vez; sofri na pele o que era estar longe de casa e não entender praticamente nada do que a outra pessoa dizia; chorei várias vezes por passar o Natal longe da minha família; passei mais da metade da minha vida fora do Brasil; chorei por não saber o que fazer, por me sentir perdida, agora as vezes me sinto perdida, mas já sei que passa e sou mais consciente na hora de escolher o caminho; aprendi que planejar não significa controlar o futuro; depois de estudar quase 2 anos de medicina, 3 de direito, para só muitos anos mais tarde concluir psicologia, hoje eu entendo o que Steve Jobs queria dizer com “connect the dots”; transformei minhas amizades fora do Brasil em família. Hoje eu me sinto parte de muitos lugares e pessoas e levo comigo cada uma delas!
Resultado da minha experiência pessoal e muito estudo, criei minha própria teoria e metodologia – “Multipercepção Cultural” que se baseia em ver e viver o mundo desde muitos pontos de vista, ou seja, uma possível solução para os preconceitos, estereótipos e processos de adaptação.
O caminho que percorri ao longo dos anos, me levou à descobrir o meu propósito de vida, o meu daimon: auxiliar pessoas a interagirem com outras culturas, ser o elo facilitador entre os diversos, o que precisa ser compreendido e respeitado. Comecei com pesquisas, depois com a clínica, e hoje faço através da escrita!
Sou formada em Psicologia pela Universidade de Florença, master em Psicobiologia da Saúde e do bem-estar, mestranda em Psicologia e Neurociência da saúde mental pelo King’s College London.
Atualmente meus estudos estão voltados para a Neurociência cultural, que é a junção de psicologia, antropologia, sociologia, biologia, neurociências cognitivas, que além de investigar a relação entre cultura e o cérebro, e como cada um está moldado pelo outro, investiga os biomarcadores comuns que estão por trás dos transtornos mentais, neurológicos e por uso de substâncias à nível global. Com a intenção de identificar as possíveis causas, os tratamentos realizados em cada lugar, e só assim sermos capazes de encontrarmos curas e trabalharmos na prevenção.
Ao longo da minha vida me apaixonei e me encontrei na escrita ficcional. Meu primeiro livro “Meias Verdades” (2016) foi publicado pela Selo-Off Flip, em novembro de 2023 lancei meu primeiro livro de ficção, Verão, parte da série Estações, pela e-Galáxia; em outubro desse ano lançarei o segundo, Inverno. Também tive a honra de participar da coletânea de poesias da Selo-Off Flip de 2020.
Ministrei diversas palestras e aulas na Universidade de Barcelona, Universidade de Florença e em outras instituições.
Botelho