Ilustração do instagram @nablaandzibe
Por Veronica Botelho
Uma das coisas que a vida está me ensinando é que conhecer o passado das pessoas, com todos os seus fantasmas, segredos e medos, e permanecer perto delas em certos momentos de suas vidas, pode levar a um dos muitos paradoxos da vida: você perceberá que ao longo do tempo, se essas mesmas pessoas decidirem enterrar o passado, se escondendo atrás da máscara da perfeição (em vez de olhar para dentro e entender o que tem que aprender), você será enterrado junto!
Isso acontece porque ninguém gosta de olhar nos olhos daqueles que sabem as coisas que elas gostariam de esquecer! Faz parte do ego, faz parte da natureza humana. Para superar isso, é necessário reconhecer nossos erros, nossas fraquezas, nossos defeitos… precisamos reconhecer que não somos perfeitos.
Rejeitar a ideia de nos reconhecermos imperfeitos e vulneráveis dará início a uma luta entre egos. O ego da pessoa que não quer ser enterrada sente-se rejeitado, desprezado, não reconhecido, e os dois egos tentarão trazer a razão para o lado deles, tentarão se defender, mas sendo o ego parte de nós, se isso acontecer é porque fomos nós que lhe demos esse poder, e não podemos deixar que ele nos controle , nos comande, nos guie.
Porque somos nós que devemos pegar o ego pela mão, guiá-lo, abraçá-lo e enxergar as suas feridas para poder curá-lo.
Enquanto não deixarmos as mascaras caírem, tentar será uma constante dos nossos dias, limitando o viver “hic et nunc” (aqui agora). Mas se decidirmos nos despir, ir nos livrando das máscaras uma a uma, escolher olhar dentro de nós – aí sim estaremos erguendo a bandeira branca de paz, aceitando e vendo a ferida que precisava de atenção. E finalmente as cicatrizes representarão confiança, respeito, união, autorreflexão e amor.


