Veronica Botelho

The power of Anitta: uma análise atípica

Imagem: Anitta e Kevinho (foto de divulgação)

Por Veronica Botelho

“O medo de que não vamos dar conta de crescer além de quaisquer distorções que possamos achar em nós mesmas é que nos mantém dóceis, leais e obedientes, definidas pelo que vem de fora, e que nos leva a aceitar muitos aspectos da opressão que sofremos por sermos mulheres.”

Audre Lorde

Minha adolescência foi marcada por muitos estilos musicais, mas sem dúvida um dos que mais lembro é o do grupo “É o tchan” – não existia festa em casa com amigas nas quais não acabávamos todas descendo na boquinha da garrafa, ou “segurando o tchan”. Lembro dos adultos olhando e rindo, e quantas mais olhadas e risadas, mais nos animávamos na dança. A verdade é que não lembro de nenhuma sensação que me mandasse além da minha idade, até porque naquela idade sexo era fora dos meus pensamentos, o conceito de vulgar também, a minha sensação era de dançar livremente e com coreografias ensaiadas. Não percebia nenhuma maldade.

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Veronica Botelho

Apropriação cultural: será que entendi?

Imagem: (reprodução/youtube)

A beleza do mundo é a sua diversidade. Podemos gostar de um determinado pintor, um determinado poeta, nos identificar com um tipo de literatura, de música, mas é inegável a influência da arte no nosso dia-a-dia. Por arte entendo qualquer e toda expressão artística que comunica, com quem a aprecia ou não.

A comunicação é a força da arte.
Pegamos como exemplo o último videoclipe da cantora Anitta, lançado recentemente. Três minutos e vinte e seis segundos que provocaram uma chuva de comentários, (re)abrindo o debate sobre vários temas. Duzentos e seis segundos que foram capazes de (re)trazer a tona desde objetificação do corpo feminino à apropriação cultural.

A música, expressão artística com capacidade de comunicação tão vasta, que existem poucas capazes de chegar a tantas pessoas, de tantos ambientes diferentes. Uma mistura de interpretações, um cruzamento, quando se ataca, ou uma multiplicação, quando se respeita. O poder de comunicar a tantos pontos de vista diferentes deixa a música vulnerável a diferentes interpretações, ficando muitas vezes com um sabor agridoce, provocando um conflito interno, propício a despertar a hipocrisia presente na nossa consciência coletiva (https://goo.gl/DYxhYj).
Confesso que não conhecia Anitta, nem era ou sou familiarizada com o funk. A primeira vez que a vi foi nesse videoclipe “Vai Malandra”, que provocou textos como este, em vários lugares do mundo, que em pouco mais de uma semana teve quase 100 milhões de visualizações. O cenário é a favela carioca, com figurantes moradores de lá, destacando a cultura da comunidade, com muita dança, alegria e sorrisos.
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