Crônicas da Veronica: “A vida é o que vemos dela”

Anna: Nossa, olhem esse casal que acabou de chegar… Um velho com uma moça tão novinha, que tristeza. Sem vergonha!
Julia: Você diz ele sem vergonha, né?! Porque ela, tadinha, deve precisar, e por isso aceita.
Carol: Imaginem quantos casos desse devem existir e daí, para o tráfico de mulheres, é só um passo… Que dó!

A conversa continuou o seu fluxo e entrou no campo sócio-político, bastaram alguns minutos e algumas cervejas, para resolver as desigualdades sociais do mundo.

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Apropriação cultural: será que entendi?

Imagem: (reprodução/youtube)

A beleza do mundo é a sua diversidade. Podemos gostar de um determinado pintor, um determinado poeta, nos identificar com um tipo de literatura, de música, mas é inegável a influência da arte no nosso dia-a-dia. Por arte entendo qualquer e toda expressão artística que comunica, com quem a aprecia ou não.

A comunicação é a força da arte.
Pegamos como exemplo o último videoclipe da cantora Anitta, lançado recentemente. Três minutos e vinte e seis segundos que provocaram uma chuva de comentários, (re)abrindo o debate sobre vários temas. Duzentos e seis segundos que foram capazes de (re)trazer a tona desde objetificação do corpo feminino à apropriação cultural.

A música, expressão artística com capacidade de comunicação tão vasta, que existem poucas capazes de chegar a tantas pessoas, de tantos ambientes diferentes. Uma mistura de interpretações, um cruzamento, quando se ataca, ou uma multiplicação, quando se respeita. O poder de comunicar a tantos pontos de vista diferentes deixa a música vulnerável a diferentes interpretações, ficando muitas vezes com um sabor agridoce, provocando um conflito interno, propício a despertar a hipocrisia presente na nossa consciência coletiva (https://goo.gl/DYxhYj).
Confesso que não conhecia Anitta, nem era ou sou familiarizada com o funk. A primeira vez que a vi foi nesse videoclipe “Vai Malandra”, que provocou textos como este, em vários lugares do mundo, que em pouco mais de uma semana teve quase 100 milhões de visualizações. O cenário é a favela carioca, com figurantes moradores de lá, destacando a cultura da comunidade, com muita dança, alegria e sorrisos.
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Meias verdades: livro de crônicas

Ambicioso, aparentemente utópico, Meias verdades pretende cativar os leitores e fazê-los refletir sobre temas essenciais para a convivência social. A partir de histórias baseadas em situações reais, a autora oferece diferentes visões de uma mesma realidade. Entrecruzando diferentes áreas do conhecimento (filosofia, antropologia, psicologia), Veronica Botelho aborda em uma linguagem simples e envolvente questões cruciais da contemporaneidade, desde reflexões sobre o tempo, memória, identidade, liberdade, educação e amor até questões ligadas a racismo, xenofobia e ética na política. O livro é composto por oito crônicas, escritas com a leveza própria do gênero e com tom reflexivo, de tal modo que podem ser lidas como ensaios curtos, cada um sobre um tema específico. A verdadeira utopia é acreditar que exista uma única verdade, mas podemos juntar as nossas “meias verdades” e quebrar tabus e preconceitos para construir um todo e criar diálogos interculturais.

 

Livro “Meias Verdades” disponível em:
Amazon: http://a.co/3VxxZGA
Saraiva: https://goo.gl/yuUfrP
Digitaliza Brasil: https://goo.gl/s5KscL