Todos os dias eu escrevo. Escrevo na minha mente, escrevo sobre a conexão entre mim e o mundo e fica só para mim, como um diário pessoal que se cancela com o tempo… Difícil encontrar o momento para parar e escrever para o mundo o que aprendo com ele, ou talvez a verdade é que minha mente é mais rápida do que minhas mãos e, quando consigo parar, a inspiração já foi embora, ficando aquela sensação de ter “escrito” um belíssimo texto, e me sinto satisfeita com esse sentimento. Ou quem sabe prefiro essa sensação que é só minha e assim não dou a possibilidade a julgamentos? Quem sabe se o texto era belíssimo na minha mente e quando vou passá-lo para o papel perde o seu encanto? Quem sabe não é o medo de me expor que fala mais alto? Continue lendo “Diário da Veronica: “quando a inspiração encontra o paraíso””
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Choque cultural: quando o desejo de conhecer o mundo se transforma em pesadelo
Por Veronica Botelho
Counselor cultural
Morar no exterior pode ser visto como uma experiência estimulante, que incentiva a abertura de novas formas de perceber o mundo, alimentando a nossa curiosidade, aumentando nossa criatividade e aprendizagem, mas nem tudo são “flores”. Sair da nossa zona de conforto por decisão própria, estimulada pela curiosidade de conhecer “o mundo”, pode facilitar o processo, mas e quando decidimos sair em busca de uma vida melhor, ou porque nos casamos com uma pessoa de outra cultura, ou por causa de uma boa oferta de trabalho, ou porque estamos fugindo de situações de violência, guerra, insegurança e quando o desejo de conhecer o mundo depende de situações que queremos mudar? Continue lendo “Choque cultural: quando o desejo de conhecer o mundo se transforma em pesadelo”
Brasil: Um país multicultural?
Imagem: Giulia Cavalcanti Instagram @giulialovesmuffins
Quando penso no conceito de multiculturalismo, automaticamente penso num lugar onde diferentes culturas convivem pacificamente, respeitando umas as outras e interagindo entre elas. Penso numa sociedade onde não se julga a cor da pele, a classe social, o gênero, a proveniência familiar. E não, não penso no meu país de origem – Brasil.
Quando falo do meu país, me vem em mente uma sociedade com várias realidades culturais. Mas para mim, “multi” seria multiplicar, e o Brasil onde vivi, não conseguiu se multiplicar, pelo menos não ainda. “Em vez de multiplicar, se divide. Divide-se em classes sociais bem distintas; divide-se territorialmente por regiões, como também entre territórios de negros e de brancos; favelas e asfaltos; Norte e Sul…” Edilberto C, professor e poeta potiguar.
As minorias culturais conseguiram sobreviver dentro de uma invisibilidade, consequência de um passado de colônia, mas principalmente consequência de continuar sombra de um passado, que como sabemos não pode ser mudado. Esse passado pode ser assimilado, aceitado, para poder transformar o futuro, através de ações “aqui e agora”.
Apropriação cultural: será que entendi?
Imagem: (reprodução/youtube)
A beleza do mundo é a sua diversidade. Podemos gostar de um determinado pintor, um determinado poeta, nos identificar com um tipo de literatura, de música, mas é inegável a influência da arte no nosso dia-a-dia. Por arte entendo qualquer e toda expressão artística que comunica, com quem a aprecia ou não.
A comunicação é a força da arte.
Pegamos como exemplo o último videoclipe da cantora Anitta, lançado recentemente. Três minutos e vinte e seis segundos que provocaram uma chuva de comentários, (re)abrindo o debate sobre vários temas. Duzentos e seis segundos que foram capazes de (re)trazer a tona desde objetificação do corpo feminino à apropriação cultural.
A música, expressão artística com capacidade de comunicação tão vasta, que existem poucas capazes de chegar a tantas pessoas, de tantos ambientes diferentes. Uma mistura de interpretações, um cruzamento, quando se ataca, ou uma multiplicação, quando se respeita. O poder de comunicar a tantos pontos de vista diferentes deixa a música vulnerável a diferentes interpretações, ficando muitas vezes com um sabor agridoce, provocando um conflito interno, propício a despertar a hipocrisia presente na nossa consciência coletiva (https://goo.gl/DYxhYj).
Confesso que não conhecia Anitta, nem era ou sou familiarizada com o funk. A primeira vez que a vi foi nesse videoclipe “Vai Malandra”, que provocou textos como este, em vários lugares do mundo, que em pouco mais de uma semana teve quase 100 milhões de visualizações. O cenário é a favela carioca, com figurantes moradores de lá, destacando a cultura da comunidade, com muita dança, alegria e sorrisos.
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