Integração, interação e etnocentrismo: uma relação sutil?

Por Veronica Botelho

(publicado no dia 23 de abril de 2019, em http://substantivoplural.com.br)

Há alguns anos, estudiosos da imigração iniciaram um debate a favor da utilização da palavra interação em vez de integração. É possível encontrar extensa documentação sobre o assunto, que se tornou popular nos últimos anos e em muitas partes do mundo.

Aqui na Itália, por exemplo, o filósofo Salvatore Natoli, professor de filosofia teórica na Universidade Bicocca de Milão, numa entrevista concedida a Affari italiani, em 2012, disse:

“A integração é um conceito arriscado porque também significa assimilação, a interação é, em vez disso, um processo de intercâmbio gradual, mas as condições devem ser criadas para alcançá-lo”. Continue lendo “Integração, interação e etnocentrismo: uma relação sutil?”

The power of Anitta: uma análise atípica

Imagem: Anitta e Kevinho (foto de divulgação)

Por Veronica Botelho

“O medo de que não vamos dar conta de crescer além de quaisquer distorções que possamos achar em nós mesmas é que nos mantém dóceis, leais e obedientes, definidas pelo que vem de fora, e que nos leva a aceitar muitos aspectos da opressão que sofremos por sermos mulheres.”

Audre Lorde

Minha adolescência foi marcada por muitos estilos musicais, mas sem dúvida um dos que mais lembro é o do grupo “É o tchan” – não existia festa em casa com amigas nas quais não acabávamos todas descendo na boquinha da garrafa, ou “segurando o tchan”. Lembro dos adultos olhando e rindo, e quantas mais olhadas e risadas, mais nos animávamos na dança. A verdade é que não lembro de nenhuma sensação que me mandasse além da minha idade, até porque naquela idade sexo era fora dos meus pensamentos, o conceito de vulgar também, a minha sensação era de dançar livremente e com coreografias ensaiadas. Não percebia nenhuma maldade.

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O mundo secreto das pessoas altamente sensíveis

Por Veronica Botelho

Nos últimos anos, termos como transtorno bipolar, esquizofrenia, depressão crônica e borderline ganharam um estranho protagonismo: apesar de serem doenças que deveriam ser tratadas com o maior respeito, máxima cautela, que precisam de diagnóstico por parte de um professional, elas viraram chacota, conversas de bar. Entraram no inconsciente coletivo como doenças das quais se envergonhar, “doenças de gente fraca”.

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As estações brincando com a percepção

Por Veronica Botelho

Aqui, na Toscana, foi necessário quase um mês para que as flores começassem a desabrochar, para o verde colorir nossos dias, para o sol acordar mais cedo e ir dormir mais tarde… um mês para a primavera chegar com todo o seu esplendor. Chegou tórrida, com sabor de verão, o que levou um mês, agora, parece um segundo… O verão começou a bater na porta, quase ao mesmo tempo que as flores começaram a desabrochar.  A primavera e o verão brincando com a nossa percepção de tempo. Continue lendo “As estações brincando com a percepção”

Crônicas da Veronica: “A vida é o que vemos dela”

Anna: Nossa, olhem esse casal que acabou de chegar… Um velho com uma moça tão novinha, que tristeza. Sem vergonha!
Julia: Você diz ele sem vergonha, né?! Porque ela, tadinha, deve precisar, e por isso aceita.
Carol: Imaginem quantos casos desse devem existir e daí, para o tráfico de mulheres, é só um passo… Que dó!

A conversa continuou o seu fluxo e entrou no campo sócio-político, bastaram alguns minutos e algumas cervejas, para resolver as desigualdades sociais do mundo.

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